Tânia Moringa

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EUGÉNIO DE ANDRADE, in OS AMANTES SEM DINHEIRO (1950), in POESIA.EUGÉNIO DE ANDRADE (Modo de Ler, 2011) Surdo, subterrâneo rio de palavras me corre lento pelo corpo todo; amor sem margens onde a lua rompe e nimba de luar o próprio lodo. Correr do tempo ou só rumor do frio onde o amor se perde e a razão de amar - surdo, subterrâneo, impiedoso rio, para onde vais, sem eu poder ficar? * Pintura corporal inserida em paisagem, por Craig Tracy * (LT)

SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN, in HISTÓRIAS DA TERRA E DO MAR (Texto Editora, 21ª ed., 2002) GRITAVA CONTRA O SILÊNCIO Gritava como se estivesse só no mundo, como se tivesse ultrapassado toda a companhia e toda a razão e tivesse encontrado a pura solidão. Gritava contra as paredes, contra as pedras, contra a sombra da noite. Erguia a sua voz como se a arrancasse do chão, como se o seu desespero e a sua dor brotassem do próprio chão que a suportava. Erguia a sua voz como se quisesse atingir com ela os confins do universo e aí, tocar alguém, acordar alguém, obrigar alguém a responder. Gritava contra o silêncio * Tela: Orpheu e Eurydice, por © Graça Morais * (LT)

FERNANDO PINTO DO AMARAL, in ÀS CEGAS - POESIA REUNIDA 1990-2000 (Pub. D. Quixote, 2000) SEGREDO Esta noite morri muitas vezes, à espera de um sonho que viesse de repente e às escuras dançasse com a minha alma enquanto fosses tu a conduzir O seu ritmo assombrado nas terras do corpo, toda a espiral das horas que se erguessem no poço dos sentidos. Quem és tu, promessa imaginária que me ensina a decifrar as intenções do vento a música da chuva nas janelas sob o frio de fevereiro? O amor ofereceu-me o teu rosto absoluto, projectou os teus olhos no meu céu e segreda-me agora uma palavra: o teu nome - essa última fala da última estrela quase a morrer pouco a pouco embebida no meu próprio sangue e o meu sangue à procura do teu coração. * Fotografia: Missing Her, de Charles Dobbs * (CC)

DAVID MOURÃO-FERREIRA, in MÚSICA DE CAMA (Presença, 1996) A CASA Tentei fugir da mancha mais escura que existe no teu corpo, e desisti. Era pior que a morte o que antevi: era a dor de ficar sem sepultura. Bebi entre os teus flancos a loucura de não poder viver longe de ti: és a sombra da casa onde nasci, és a noite que à noite me procura. Só por dentro de ti há corredores e em quartos interiores o cheiro a fruta que veste de frescura a escuridão ... Só por dentro de ti rebentam flores. Só por dentro de ti a noite escuta o que sem voz me sai do coração. * Óleo s/ tela: In The Bedroom, de PETER VILHELM ILSTED (1861-1933) * (LT)

EUGÉNIO DE ANDRADE, in AS MÃOS E OS FRUTOS (Linear, 1977), in POESIA DE EUGÉNIO DE ANDRADE (Modo de Ler, 2011) TU ÉS A ESPERANÇA, A MADRUGADA Tu és a esperança, a madrugada. Nasceste nas tardes de setembro, quando a luz é perfeita e mais dourada, e há uma fonte crescendo no silêncio da boca mais sombria e mais fechada. Para ti criei palavras sem sentido, inventei brumas, lagos densos, e deixei no ar braços suspensos ao encontro da luz que anda contigo. Tu és a esperança onde deponho meus versos que não podem ser mais nada. Esperança minha, onde meus olhos bebem, fundo, como quem bebe a madrugada. * Fotografia: Love is Blind, de D. Steven Brito * (CC)

ALMADA NEGREIROS, in 366 POEMAS QUE FALAM DE AMOR Antologia organizada por Vasco Graça Moura ( Quetzal, 2003) HOMEM TRANSPORTANDO O CADÁVER DE UMA MULHER Quis-te tanto que gostei de mim! Tu eras a que não serás sem mim! Vivias de eu viver em ti e mataste a vida que te dei por não seres como eu te queria. Eu vivia em ti o que em ti eu via. E aquela que não será sem mim tu viste-a como eu e talvez para ti também a única mulher que eu vi! * Carvão sobre papel: A Sesta (1939), de Almada Negreiros http://picasaweb.google.com/lh/photo/K0JEoZoKF3daN9Qr106MXzSfEai2IlvHtbuJ7bFgJTI?feat=embedwebsite * (LT)

SOROR VIOLANTE DO CÉU, in ANTOLOGIA DA POESIA DO PERÍODO BARROCO, org. de NATÁLIA CORREIA (Moraes Ed., 1982) Se apartada do corpo a doce vida, Domina em seu lugar a dura morte, De que nasce tardar-me tanto a morte Se ausente da alma estou, que me dá vida? Não quero sem Silvano já ter vida, Pois tudo sem Silvano é viva morte, Já que se foi Silvano, venha a morte, Perca-se por Silvano a minha vida. Ah! suspirado ausente, se esta morte Não te obriga querer vir dar-me vida, Como não ma vem dar a mesma morte? Mas se na alma consiste a própria vida, Bem sei que se me tarda tanto a morte, Que é porque sinta a morte de tal vida. * Arte digital: Hopeless, de Mario Perez * (CC)

MÁRIO CESARINY, hoje, no dia do seu saudoso 90º aniversário (Lisboa, 9 de Agosto de 1923 — Lisboa, 26 de Novembro de 2006). LT e CC MÁRIO CESARINY, in PENA CAPITAL (1957), (Assírio & Alvim, 2004) Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco conheço tão bem o teu corpo sonhei tanto a tua figura que é de olhos fechados que eu ando a limitar a tua altura e bebo a água e sorvo o ar que te atravessou a cintura tanto tão perto tão real que o meu corpo se transfigura e toca o seu próprio elemento num corpo que já não é seu num rio que desapareceu onde um braço teu me procura Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco. * Óleo s/ tela: Florentine Villa District, por Paul Klee (1926) * https://www.youtube.com/watch?v=QfHp4zq7j7g&feature=player_embedded * (LT e CC)

LUÍS FILIPE CASTRO MENDES in OS AMANTES OBSCUROS, incluído em POESIA REUNIDA, (Quetzal, 1999) O ÚLTIMO AMOR Era o último amor. A casa fria, os pés molhados no escuro chão. Era o último amor e não sabia esconder o rosto em tanta solidão. Era o último amor. Quem adivinha o sabor breve pela escuridão? Quem oferece frutos nessa neve? Quem rasga com ternura o que foi verão? Era o último amor, o mais perfeito fulgor do que viveu sem as palavras. Era o último amor, perfil desfeito entre lumes e vozes e passadas. Era o último amor e não sabia que os pés à terra nua oferecia. * Fotografia de © Cristina Coral * (LT)

MANUEL ALEGRE, in LIVRO DO PORTUGUÊS ERRANTE (Pub. D. Quixote, 2001) MAIS DO QUE O TEU CORPO Mais do que o teu corpo quero o teu pudor quero o destino e a alma e quero a estrela e quero o teu prazer e a tua dor o crepúlculo e a aurora e a caravela para io amor que fica além do amor. A alegria e o desastre e o não sei quê de que fala Camões e é como água que dos dedos se escapa e só se vê quando p razer se torna quase mágoa. Estar em ti como quem de si se parte e assim se entrega e dando não se dá quero perder-me em ti e quero achar-te como nun corpo o corpo que não há. * Pintura de Marc Chagall * (CC)

JOSÉ LUIS PEIXOTO, in MORRESTE-ME (Temas e Debates, 2001) Pai, Quero que Saibas... É o teu rosto que encontro. Contra nós, cresce a manhã, o dia, cresce uma luz fina. Olho-te nos olhos. Sim, quero que saibas, não te posso esconder, ainda há uma luz fina sobre tudo isto. Tudo se resume a esta luz fina a recordar-me todo o silêncio desse silêncio que calaste. Pai. Quero que saibas, cresce uma luz fina sobre mim que sou sombra, luz fina a recortar-me de mim, ténue, sombra apenas. Não te posso esconder, depois de ti, ainda há tudo isto, toda esta sombra e o silêncio e a luz fina que agora és. * Pai- (Lisboa, 20 de Agosto de 1933- Avintes, 2 de Julho de 2013) * (LT)

PABLO NERUDA, in CEM SONETOS DE AMOR (1959) POEMA LXVI Não te quero senão porque te quero, e de querer-te a não te querer chego, e de esperar-te quando não te espero, passa o meu coração do frio ao fogo. Quero-te só porque a ti te quero, Odeio-te sem fim e odiando te rogo, e a medida do meu amor viajante, é não te ver e amar-te, como um cego. Talvez consumirá a luz de Janeiro, seu raio cruel meu coração inteiro, roubando-me a chave do sossego, nesta história só eu me morro, e morrerei de amor porque te quero, porque te quero amor, a sangue e fogo. * Pintura de Duy huynh s/ título * (LT)

LÍLIA TAVARES, in PARTO COM OS VENTOS (Kreamus., 2013) APELO Preciso de ti, chamo-te e não ouves, ou são os teus ouvidos minerais como búzios? Ou perdi eu a voz com os ventos em cada onda da tempestade? Sinto-te como quem apalpa o ar ou alcança uma nuvem líquida. Como palmilhar as estrelas ou querer, sendo cego, misturar todas as cores do poente? Sei que estás aí e és a outra metade do meu corpo. Não quero ser violentada por palavras agrestes. Dói-me a ausência dessa outra parte de mim. * Ilustração de © Betül Ensari * (CC)

Fernando Pessoa É fácil trocar as palavras Difícil é interpretar os silêncios É fácil caminhar lado a lado Difícil é saber como se encontrar É fácil beijar o rosto Difícil é chegar ao coração. Imagem: Júlio Pomar www.portaldaliteratura.com #FernandoPessoa

ANA HATHERLY, in A IDADE DA ESCRITA (Ed. Tema, 1998) Se eu pudesse dar-te aquilo que não tenho e que fora de mim jamais se encontra Se eu pudesse dar-te aquilo com que sonhas e o que só por mim poderá ter sonhado Se eu pudesse dar-te o sopro que me foge e que fora de mim jamais se encontra Se eu pudesse dar-te aquilo que descubro e descobrir-te o que de mim se esconde Então serias aquele que existe e o que só por mim poderá ter sonhado. * Óleo e acrílico sobre tela: Io e Te Senza Tempo, de Nic N * (CC)

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